Contamos aqui a história verídica de quatro grandes mulheres, Rosali, Idarrah, Daiana e Ana, todas foram de um mesmo teto, mesmo sangue, mesma ancestralidade e sonhos tão diversos. Histórias tão ímpares e mágicas que nos jogam bem longe daqui, num sonho lindo e possível de acreditar. Somos divergentes, e daí? Vídeo inspiracional aqui

Somos divergentes. Ser divergente é ir além de um estado de espírito. Está no jeito de falar, de encarar o mundo. No jeito de negar quando necessário ou abrir os braços em busca de um ombro. Posso crescer na comunidade, ou fora dela. Sou Rosali. Posso ser a melhor mãe solteira do mundo. Posso ser eu Idarrah, Ana Beatriz, Daiana. Abrimos nossos pulmões para a vida e nos enchemos de amor a cada caminhar. Se fecha uma porta, não nos deixamos levar. Abrimos tantas outras. Uns gostam de rosa, outros de bege ou lilás. Somos divergentes.
Idarrah não aceita um não. Porque ser apenas a mais velha se não podemos fazer mais e mais? Somos divergentes e aceitamos que somente isso nos diferencia de muitos outros. A certeza no olhar e o punho firme a cada decisão nunca nos impediram do próximo passo. Sair de um teto religioso, abrir mão do conforto, ser cancelada por aqueles que talvez nunca acreditaram de verdade em você! Somos divergentes. Já sentiu isso? Já sentiu esse nó na garganta todo dia que você acorda? Idarrah nunca viu parede, só muros a pular. Saiu de casa, apoiou suas irmãs e sua querida mãe. Foi fazer dinheiro, legado e história. A vida não nos ensina a levantar, mas faz da gente um moinho e catapulta para onde o vento bem levar. E vamos longe! Porque somos divergentes. Não aceitamos não.
Ana Beatriz não aceita um não. Ana Beatriz não quer só estar aqui, neste lugar. Não faz sentido nascer aqui, viver aqui e morrer aqui. Porque tenho que gostar do calor se o frio me faz tão bem? Porque falo a língua dos homens daqui se meu prazer está também no estrangeiro e tão distante? Não há razões que explicam o amor. O desejo e interesse em ser gigante. Somos divergentes. Cante esse hino, do jeito que quiser. Fazemos o equilíbrio entre a mais velha e a do meio, de mimada a estudiosa. De vivida a viajante! Moldamos presentes, revemos passados. Posso não ser mais criança. Moldamos nossos pensamentos com as experiências que vivemos e passamos cada vez mais reféns da barrinha que elevamos a cada dia. Somos divergentes. Não aceitamos medianos e iguais!
Daiana não aceitou um não. Daiana nunca nivelou seu sonho por baixo. Dança na favela? Porque sim! SER UMA DAS MAIORES REFERÊNCIAS AQUI E FORA? Porque sim. Devemos e somos divergentes. O teto pode ser o mesmo. A índole não. O momento de trilhar um caminho nobre é somente seu. Um passado pode doer. Um fato inesperado pode doer e te levar metade do coração. Uma mãe solo pode afrontar, somos divergentes e não sossegamos caladas.
Sou hoje uma meio mãe, uma irmã do meio e a sempre caçula. Tem família de todos os jeitos. Há elos se fortalecendo. Há vida na dança, na dança da vida. Há dança na comunidade. Tem sangue, tem garra, tem responsabilidade que não há preço.
Somos divergentes e isso pode doer, pode nos deixar confusas. Pode até nos fazer desistir. Mas quem nunca sossegou enquanto não viu o sol do outro brilhar né?
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*Os tópicos do texto acima foram abordados no #CMDivergent que tivemos no dia 26 de fevereiro de 2021. “Momentos de divergência podem criar futuros maravilhosos”, não? Nosso capítulo de Valência escolheu explorar Divergente nesse mês e Núria Tamarit ilustrou o tema, que é apresentado globalmente por Basecamp e HEY.
Texto por Rhaissa V.
Dialética, TOC e fotofobia leves. Ama wasabi, gengibre e rapé Huni Kuin. Publicitária formada pela Universidade Federal Fluminense (UFF).
Hoje ½ nômade digital ½ grudada na selva de pedra São Paulo.









