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Mais uma edição CreativeMornings RIO rica e tão necessária.

Mais uma edição rica e tão necessária. Fechamos julho com luz, aprendizados e duas palavras que representam demais o intuito das manhãs do CreativeMornings RIO: Respeito & Amor.

Falar sobre o que é underdog foi um desafio que começou antes da live, nas pautas de tradução com os voluntários brasileiros e portugueses. Quisemos trazer um pouquinho da pureza, positividade e vitória sobre o grupo plural aqui: os subestimados (tradução adotada no PT-BR). Os que impressionam todos pela sua jornada, o que deram a volta por cima na sociedade!

Em meio a tantas vozes, das doces, queer, buscamos em cada minutinho do encontro uma forma de ressignificar, de nos aproximar do que nos faz mais humaninhos, a arte de viver. Começamos o evento com cafés, biscoitos (sim, bolacha não) e muito calor brasileño vindo de Estocolmo, São Paulo, Nova Friburgo, Macaé, Barcelona e outros.

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O que você espera de você?

O evento físico ainda nos transborda em saudades, porém a cada edição do #CMRIO temos enchido tanto nosso peito de momentos bons que já não há espaço pro chorare. Demos vozes para indivíduos tão lindos e ricos que impossível seria resgatar tudo que sentimos. Mas acho que nossa nuvem de palavras criada ao vivo diz demais sobre:

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O que você espera de você?” foi o que perguntamos, e olhem o que colhemos (favoritos#5):

  • Respeito & Amor
  • Sabedoria
  • Sucesso
  • Disciplina
  • Força
  • (…)

A voz de longe, Galba Gogóia

Pela primeira vez, pessoas trans são protagonistas das suas próprias narrativas — Jen Richards no documentário original Netflix, “Revelação” (Disclosure, 2020).
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Para embalar nossas conversas, chamamos a querida Galba Gogóia que como sua própria biografia do instagram diz, ela é sim (além de uma maravilheusa): - Travesti. Cineasta. YouTuber. Pernambucana hoje no Rio. 

E foi EXATAMENTE isso que vivemos juntos, ao vivo. Um guarda-chuva gigantesco de revelações na sexta-feira, dia 31. Porque Galba é Olinda no carnaval! Ela é paixão, uh uh uh que beleza. É Jéssika, ela toda manga rosa. É Alceu, Gal Costa. Maria Bethânia. Galba é Tropicália, é um xerô e um cafuné. Galba é catuaba. Caldinho de feijão na praia. 

Eu não queria aceitar que não ia dar”, afirma Galba Gogóia.

Galba, nascida e criada no interior de Pernambuco. Sempre acabou morando na mesma casa, desde que nasceu, conta ela. Era de família grande. 26 primos! Sempre bem unidos. Desde novinha, amava novelas e também sonhava em um dia ser atriz. Pois é, nessas horas pensamos o que somos como essência e o que nos tornaremos, já pensaram? 

Como ela diz: sempre de vez em quando. Será? 

Ah, sua história é forte, é humilde mas com muita luz vibrando! Saiu do Nordeste, fez acontecer no Rio, estudou, se especializou. Buscou uma rede de amigos. E como diz, em nenhuma profissão esse lugar trans era dado, ela criou um para si, neste doc:

Jéssika - Um filme de Galba Gogóia

No audiovisual, já veio criando história em um filme que foi para mais de 20 festivais no Brasil. Assinando em direção e roteiro, levando arte e cultura para os seus semelhantes, e também diferentes. Orgulho de termos essa pauta no #CMUnderdog <3 – Para quem não sabe, atualmente o time #CMRIO é feito de mulheres incríveis (ei, confira o post de agradecimento) e de trajetórias também únicas. Feito pela host Cami Inacio e o squad, com a Ana Silva, Lully, Mari de Sá, Nic Correa e a novata Rhai Vitor – ela quem escreveu este texto o/

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O sentimento Blackyva

O segundo destaque foi a manifestação artística com a Blackyva, denominada como negra, ativista e funkeira. Vem da Favela da Rocinha e já nos provoca sobre a criação do persona e as múltiplas personalidades que brotam da sua arte. Mais sobre sua vida no papo com a Revista Acrobata: link

Por muito tempo, os modos como pessoas trans foram representadas nas telas sugeriram que não somos reais. Que não existimos. Mesmo assim aqui estou. Aqui estamos nós. E sempre estivemos — Laverne Cox no documentário original Netflix, “Revelação” (Disclosure, 2020). Trailer do doc

Blackyva nunca quis ser igual, mas nunca foi diferente como ela bem diz. E esse aqui TRANSgredir vai além, ser igual no melhor sentido da palavra! Ela sim se preocupa com cada sentido da palavra. As palavras, como arma, como aconchego. Como explosão e liberdade. 

Como ela declarou, “fui descobrindo o melhor de trabalhar em comunidade, no melhor sentido da palavra”. Mas ser igual não é gritar a todos pulmões nas lajes como um tufão. Como Blackyva afirma: “Ir pra além de não binários, temos uma forma social e acredito que nossa existência tá pra além dessa padronização que beneficia o homem branco cis , no “topo” dessa cadeia social (em ruínas).”

Mais que fenomenal. Transmutável, lynda de morrer, Blackyva! 

E deixou marca mesmo, de saudade, de irreverência e todo teatro, música e cores só suas. Valeu. :)

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Almas cariocas 

Contamos também como mais dois pitches criativos de peso, da dinâmica do “valendo, apresente sua ideia ou projeto em 60 segundos”. Para quem não conhece, é a hora que abrimos o microfone para grandes nomes da Cidade Maravilhosa influenciarem nosso pensamento e transformá-los em ações, com mensagens e iniciativas do bem.

Ei, tudo bem?, Auto-conhecimento e coragem feminina:

Nas palavras da própria criadora Natalia Erre, é um projeto de reconstrução de nós mesmas, com amor e conhecimento. Tendo papos com psicólogas, jornalistas e especialistas para discutir sobre autoconfiança, autocompaixão e conscientização da força que cada uma de nós tem.

Favela Inc, Ativismo em lugares carentes:

Criado pelo gringo-do-Vidigal Adam Newman, eles vieram para agregar e muito. Principalmente agora na pandemia, sendo “uma incubadora de impacto social e hub de inovação e tecnologia localizado na Favela do Vidigal. Atualmente estamos trabalhando em função de distribuição de matérias emergenciais para as famílias mais vulneráveis da comunidade.”

Gracias por existir!
Galba Gogóia & Blackyva & Natalia Erre & Adam Newman
Sigam seus projetos nos links, hoje e sempre.

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#CMStress
E o próximo tema, de agosto, será: Estresse.

O capítulo de @warsaw_cm escolheu a abordagem de Estresse deste mês e @shaneebenjamin ilustrou o tema. Arte: link

Fiquem atentos pelos nossos canais (redes sociais e newsletters) para saber mais informações do nosso café da manhã criativo do mês. ☕️

Texto por Rhaissa V.
Pronomes: ela/dela. No lugar de fala de uma mulher careca, manequim 42, retinta clara. Mineira-carioca, binária de gênero não-conformista. Tem estudado sobre o ser queer brasileiro. Publicitária formada pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com um executive program em liderança criativa pela Berlin School | Redes dela aqui o/