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6 Anos a Preservar a (nossa) Criatividade!

São 8h30 e está tudo a postos no Armazém Cowork, o espaço fantástico que nos acolhe esta manhã! É dia de aniversário: as Creative Mornings Porto fazem 6 anos e estamos celebrar com a ajuda do sol que se vai mostrando entre as nuvens. O pequeno almoço, gentilmente cedido pelos nossos parceiros, está pronto e deixa água na boca de todos os que entretanto se juntam a nós, a Garfa traz-nos os seus pães artesanais deliciosos; a Lavazza, cede-nos um bom café logo pela manhã; a Yonnest brinda-nos com iogurtes e smothies de chorar por mais;  a Greenalyn despertamos-nos o palato com patés e compotas únicos; o Brigadão tenta-nos com brigadeiros irrecusáveis e o Piquenique apadrinha-nos com o nosso bolo de aniversário!

Para a sessão de hoje, que tem o mote “Preservação”, temos connosco a Alice Bernardo, que há 8 anos iniciou o projeto Saber Fazer, uma iniciativa dedicada à investigação, valorização e divulgação das técnicas de produção artesanal, bem como dos recursos locais inerentes. A Alice é apaixonada pelo conhecimento técnico e rigoroso e tem muita curiosidade sobre a origem dos materiais têxteis, que tanta importância têm na nossa vida.

Isto levou-a às rodas de fiar e a querer perceber minuciosamente tudo o que está antes e depois da sua utilização na produção do linho, da lã e da seda. O objetivo do Saber Fazer é produzir conhecimento e usá-lo na educação que promove através de oficinas e outros programas educativos. A sua atividade abarca todo o processo, desde o reconhecimento do território até à produção final do tecido. São produzidos conteúdos e recursos para usar pedagogicamente: por exemplo, há já um acervo fotográfico de artesãos e técnicas por eles usadas, que é um excelente suporte para perceber o valor de produzir um objeto de excelência! Preservar implica mais do que ver o que já existe: implica sair do campo da observação e do registo, aprender com rigor e gerar conhecimento que possa ser, depois, utilizado. Tudo isto necessita de tempo, as matérias primas exigem muita atenção, uma planta tintureira pode demorar anos a desenvolver-se e estar pronta para ser utilizada.  Neste sentido, o Saber Fazer promove uma noção de materialismo enquanto respeito pelo material que usa. Uma inspiração para a Preservação!

E para terminarmos a manhã em beleza e festejar condignamente, aproveitamos o jardim pra cantar os parabéns às CreativeMornings Porto! O WOW, nosso parceiro mais recente, ajudou-nos a criar alguns elementos para embelezar a festa e, com muita animação e emoção, brincàmos com eles para as fotos que marcaram este momento. E apesar do aniversário ser nosso, os presentes foram para a nossa audiência!

Texto: Patrícia Mascarenhas

Imagem: Filipe Brandão & Beatriz Ferreira

O tema de Junho é MARAVILHA!

O nosso sentimento de admiração é o código para entrar no nosso eu mais criativo. Isso permite-nos expandir os nossos horizontes e encontrar universos paralelos que ainda não foram explorados.

De acordo com o filósofo grego clássico Sócrates, “A admiração é o começo da sabedoria”. Ao levar-nos para fora dos nossos padrões típicos a admiração reconecta-nos com a nossa capacidade de nos maravilharmos com com coisas novas e belas.

Todos nós temos a capacidade de nos maravilharmos, mas porque perdemos isso de vista?

Como as nossas vidas tendem a estar mais ocupadas, tendemos a simplificar os nossos horários e relacionamentos para os tornarmos mais eficiente. Queremos saber o que vai acontecer e quando isso vai acontecer.

Mas as coisas extraordinárias acontecem se abrirmos espaço para o inesperado.

Quando deixamos espaço nos nossos planos, criamos condições mágicas para a nossa imaginação e pensamento possam colidir. E é dessas faíscas que nascem as nossas melhores ideias!

All abord com a U.DREAM!

Como habitualmente, a manhã começa cedo! São 8h da “madrugada” e estamos a pôr tudo a postos para mais uma manhã animada, no Armazém Cowork, o local  que hoje nso recebe e onde vamos estar durante estes 3 meses de CreativeMornings Porto. E somos uns sortudos, não só proque está sol e São Pedro tem colaborado connosco, mas porque temos à nossa disposição um jardim fantástico cheio de sol!

Além disso, esta manhã temos iguarias de comer e chorar por mais, cortesia dos nossos gentis patrocinadores Lavazza, O Piquenique, Doce Ternura e as novidades da Yonest e da Garfa Padaria.

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O tema de hoje é “Inclusão” e convidámos o Diogo Cruz responsável pelo projeto U.DREAM para nos vir dar a sua perspetiva pessoal sobre o assunto. A história começa em 2013 quando o Diogo quis tornar realidade um sonho antigo e criou a  primeira Empresa Júnior Social de Portugal: a U.DREAM.

Nascida dentro da Faculdade de Economia, é composta por estudantes que acreditam que todas as crianças devem ter uma infância feliz e trabalham nesse sentido. Através de um modelo de negócio com impacto social, em que conjugam o mundo empresarial com o social, realizam os sonhos de crianças em fases difíceis da vida. O próprio Diogo passou por uma dessas fases quando teve tuberculose e esteve 50 dias internado num hospital. Foi aqui que o sonho nasceu! Como nos conta o Diogo, no início do projeto muitos estudantes acreditaram nele e envolveram-se, mas à medida que o trabalho foi aumentando muitos deixaram de estar presentes. Ainda assim, a U.DREAM conta hoje com 150 estudantes!

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A título de exemplo, o Diogo conta-nos a história do Luís, em menino que era um autêntico “guna”, de quem aceitou ser “padrinho”. O Luís tinha cancro no fígado, vivia numa família pobre, descontextualizada e problemática e numa
casa sem água canalizada. O seu sonho era estar com os Super Dragões e  para o realizar a U.DREAM conseguiu levá-los à sua casa. O Diogo conta-nos que quando entrou o Ricardo Quaresma com uma bola assinada foi o êxtase e a emoção da família!  Só que entretanto, o Luís regrediu e ficou sem casa pelo meio do processo. É novamente aqui que entra a  U.DREAM  que conseguiu reunir 80 pessoas que restauraram uma casa para a família em 3 dias. Pela primeira vez o Luís e a sua família tiveram um lar e a U.DREAM conseguiu ainda pagar um ano de renda de casa para os ajudar.

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Estas experiências trazem sofrimento e por isso o Diogo aprendeu que é essencial cuidar dos voluntários, porque dessa forma estão a multiplicar os valores que importam e a reforçar competências sociais nas pessoas. O Diogo acredita que para mudar o mundo temos que nos conhecer e mudarmo-nos a nós próprios primeiro, só depois é que partimos para as experiências sociais, onde encontramos um conjunto de dinâmicas que permitem fazer do mundo um lugar mais bonito.

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É o que a U.DREAM faz, como diz o Diogo: “Nós somos bons a realizar sonhos!”

Texto: Patrícia Mascarenhas

Imagem: Beatriz Ferreira

Em Março metemos Água!

O nosso dia começou às 6h! Aquele velho ditado do “Deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer!” é capaz de ser verdadeiro, nós é que nunca nos lembramos da primeira parte que diz deitar cedo! 

Ainda o sol não tinha nascido quando saímos da cama cheios de energia para mais uma daquelas manhãs que nos aquecem o coração e alimentam a alma para o mês todo. É preciso garantir que tudo funciona no dia, e antes disso ainda há que tratar de chegar ao Porto i/o, um espaço fantástico que nos tem acolhido nas últimas CreativeMornings mas do qual nos vamos despedir este mês! A partir de Abril mudamos de casa! Com a ajuda da Daily Coffee - Lavazza, d’ O Piquenique e do Brigadão!, que gentilmente nos ofereceram verdeiras delícias para o pequeno-almoço, temos tempo para dois dedos de conversa antes de avançar com a manhã.

O tema de hoje é “Água” e a nossa oradora não podia ser melhor! Convidámos a criadora da Zouri, a Adriana Mano, uma designer que foi parar ao mundo do calçado, onde trabalha há vários anos, que nos contou a história de como nas férias de verão passadas nas praias de Viana do Castelo, ao olhar à sua volta e ver todo o plástico que por ali abundava, começou a pensar se não conseguiria fazer alguma coisa para utilizar aquele plástico todo num produto novo.

Abordou a Universidade do Minho para perceber as possíveis soluções, mas esta mostrou dificuldade em apoiar o projeto sem financiamento. Propõe-lhe, em alternativa, a participação num concurso de melhores ideias para a reutilização de resíduos. A Zouri concorre e ganha um prémio em outubro de 2017! Incentivada pelo prémio, a Adriana vai procurar quem tem o conhecimento prático do fabrico de calçado e encontra uma fábrica de solas que acaba por ser uma ajuda preciosa! O principal impulso para o projeto foi a vontade de transformar aquilo que é o seu trabalho em algo que tenha um impacto positivo na comunidade, por isso aborda escolas, câmaras municipais e outras entidades com potencial de ser uma alavanca para a mudança na vida real. Propõe à Câmara Municipal de Esposende a realização de uma recolha nas praias, com separação entre plástico e resto do lixo, em que participa ativamente.  E como o objetivo é que a economia circular funcione, encontra as fábricas de que necessita para a reciclagem do plástico, produção das solas e produção dos sneakers. Mas o fim de vida do produto também foi tido em conta e por isso tem um parceiro que os vai triturar para produzir mobiliário urbano quando já não servirem aos clientes!

Ao longo da evolução do projeto a Adriana debate-se com vários desafios: falta de tempo (uma vez que tem o seu emprego em paralelo); falta de apoios financeiros e pouca adesão ao produto por causa dos custos inerentes a ter um
produto 100% português e com materiais sustentáveis. No entanto, mantém-se fiel aos seus princípios e, não desistindo lança uma coleção mais barata, com outros materiais, esperando assim o aumento da adesão e a sustentabilidade do projeto.

Os números da Zouri evidenciam o sucesso: 1,5 toneladas de plástico recolhidas, 20 km de costa percorridos, 11 parceiros angariados, apoiantes de 18 países e 1.700 pares de sneakers vendidos! Parabéns Adriana e obrigada por este projeto, que a todos toca e que nos dá esperança num mundo mais sustentável para todos nós!

6 Anos de CreativeMornings Porto!

As CreativeMornings Porto fazem 6 anos este mês e isso é motivo de celebração! Não só teremos mais lugares que os habituais para poder receber todos os que queiram vir soprar as velas connosco e principalmente aqueles que nos foram acompanhando e vendo crescer ao longo destes 6 anos, como vamos terminar mais tarde: 11h!Além do habitual pequeno-almoço, da palestra e do espaço para perguntas e respostas que temos sempre, desta vez vamos ter também um bolo de aniversário no final e por isso vamos precisar da vossa ajuda para apagar as velas! 

E ainda que sejam as CreativeMornings a fazer anos, os presentes são para ti e por isso vamos ter surpresas para vos oferecer. Apareçam e partilham desta felicidade connosoco! 

Fevereiro e a Simetria dos Azulejos!

Desta vez ainda não eram 8h da manhã e já eu tocava à campainha do Porto i/o de Santa Catarina para dar início a mais uma daquelas manhãs supimpas e especiais. 

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E obviamente que sem café nem a coisa se fazia! Felizmente tivemos também o patrocínio da Doce Ternura com uns brigadeiros maravilhosos que acompanharam o também maravilhoso pequeno-almoço servido pelo O Piquenique. Dizem que panquecas das boas forma avistadas, mas sobre isso não posso falar porque nem as provei!

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Depois deste começo e das boas-vindas da praxe, que demos a uma audiência que tem vindo a crescer, passámos a bola à Joana para nos falar sobre este seu Preencher Vazios que nasceu de uma necessidade de encontrar uma ideia de projeto para sua tese de mestrado. 

Foi no seu percurso diário de casa para a faculdade que a Joana começou a reparar  nas fachadas dos edifícios onde se notava a falta de azulejos e pensou porque não transformar esse problema no tema da sua tese? 

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A ideia da Jona foi transformar um problema num projecto que chamasse a atenção para os pequenos detalhes que nos rodeiam diariamente e surpreendesse os transeuntes com algo que não estavam habituados a ver durante o seu percurso, atribuindo pequenas mensagens de poetas portugueses nos azulejos criados por ela que mantêm o mesmo padrão mas têm propositadamente uma cor diferente. Assim, nasceu o Preencher Vazios

Muito mais que uma intervenção artística, esta intervenção efémera pretende chamar à atenção para a necessidade de preservar o património azulejar português que tem sofrido uma perda progressiva de azulejos nos últimos anos e é também por isso que a Joana nunca preenche todo o espaço, de forma  manter a chamada de atenção para um problema cada vez maior. A ideia é criar detalhes que permitam aos outros pensar nas possibilidades e deixar a pergunta do que acontecerá à sua intervenção propositadamente sem resposta.

Nesta lógica, a Joana desenvolve também workshops em conjunto com várias entidades e a título individual para a criação de azulejos e colocação em conjunto com os participantes, ao mesmo tempo que desenvolve vários materiais de merchandising do projecto.

Foi uma manhã passada a falar da Simetria dos azulejos que a Joana cria e a fazer crescer ideias de futuro, para a Joana e para todos nós! 

O Tema de Abril é Inclusão!

Quando pessoas diferentes entram nas nossas vidas trazem sempre presentes.
Podemos misturar o melhor da nossa sabedoria com o melhor delas. Podemos ensinar e aprender uns com os outros para produzir círculos mais próximos que promovam a comunidade e se comprometam com a diversidade.

Pessoas que são incluíudas com intenção, levantam a mão para abraçar o que não é familiar. 

A inclusão é uma atitude para estar conscientemente aberto a ideias que vêm de fora dos nossos caminhos previamente estabelecidos de pensar ou sentir. É sobre tomar uma decisão que vem de um lugar de amor, de cuidar dos outros.

Quando colocas a inclusão no centro do modo como vives, tens um grande poder de curar, elevar novas vozes e mudar a narrativa de quem pertence.

Como o defensor da diversidade Vernā Myers disse uma vez: “A diversidade está a ser convidada para a festa.” Inclusão é ser convidado a dançar.


O nosso capítulo de Grand Rapids escolheu este mês para explorar o tema Inclusão, a Libby VanderPloeg ilustrou o tema e o WordPress.com patrocina globalmente o tema.

CreativeMornings Porto - Round 2!

O que é que um planeta, um rosto atraente ou um floco de neve têm em comum? Simetria!

A simetria é predominante ao longo de toda a nossa vida. Podemos dobrar um girassol ao meio ou o corpo humano pode dobrar-se e criar formas fascinantes. Existem também irregularidades que melhoram a vida, acrescentam beleza e complexidade. Se há simetria na Natureza, então deve haver um tipo de simetria na maneira como conduzimos as nossas vidas.

A simetria não pode ser possível sem assimetria, da mesma forma que a tristeza aumenta a alegria.

Alan Lightman escreveu em The Accidental Universe: “Eu diria que a simetria representa a ordem e nós ansiamos por ordem neste estranho universo em que nos encontramos.” Mas o caos vai acontecer quer gostemos ou não e é como reagimos a isso que ou cria ordem ou mais caos.

Quando no caos, cria a tua simetria!

E se não sabes como o fazer, vem ter connosco no dia 22 de Fevereiro ao espaço de Cowork do Porto i/o Santa Catarina para veres como saímos do nosso caos criativo!

Este tema foi escolhido pelo capítulo de São Petersburgo, ilustrado pela Anna Fadeeva tem o apoio do nosso parceiro Mailchimp.

E com o FANTASPORTO foi assim…

Eram 8h15 da manhã quando eu cheguei esbaforida e atrasada para a primeira CreativeMornings Porto de 2019. Acho que à medida que a manhã foi decorrendo esse stress foi aumentando! Afinal de contas eu nunca tinha feito isto e pior (!) nunca tinha estado numa CreativeMornings na vida! (Mas isso é tema para outra conversa...)

Às 8h30 (mais coisa, menos coisa) e depois de um pequeno-almoço supimpa, cortesia dos nossos parceiros O Piquenique e a Lavazza (podem ver fotos e babar aqui!) começámos a falar disto do Surreal. 

A Beatriz Pacheco Pereira, uma das diretoras do Fantasporto, que teve a cortesia de aceitar o nosso convite e nos honrar com a sua presença e experiência de vida para fazer uma entrada em grande foi dizendo desde logo que com a nossa idade ainda tinhamos a obrigação de ter sonhos, porque os sonhos realizam-se e concretizam-se mediante certos condicionantes.

Contou-nos a história do Fantasporto, falando da importância das influências políticas e do 25 de Abril na abertura do mundo e na criação de um festival de cinema independente sobre o fantástico, que é diferente de terror. O Fantasporto nasceu com o objetivo de mostrar o cinema que estava proibido, de ser um fórum para encontros de cineastas, cultura e artes, tanto assim era que o primeiro festival não era competitivo. O mote era contribuir para a educação cinematográfica da geração da altura, levando a uma ligação ao mundo global do cinema.

Alertou-nos também para algumas questões fundamentais para quem faz cultura em Portugal, já que esta não deve ser pensada apenas em termos empresariais. Apesar de pouco visível, a cultura é a indústria mais rentável do Mundo, porque nos permite estimular a criatividade em todas as vertentes. E por isso, a cultura em Portugal precisa de estruturas e patrocinadores, ainda que a a preferência destes pareça sempre ir para festivais de música e para o futebol. Por isso, diz que ter sucesso em Portugal é das coisas mais perigosas que há. Porque manter esse sucesso implica um trabalho gigantesco! 

Algumas das curiosidades interessantes que fazem do Fantasporto uma dos 10 melhoers festivais do mundo, a celebrar 40 anos de existência em 2020, são ter exibido A Guerra das Estrelas em 1976, ter recebido o Danny Boyle e ele ter escrito parte do argumento do filme “Quem quer ser Bilionário?” no Porto, receber todos os anos estreias mundiais e ante-estreias europeias e já ter trazido 3 oscarizados ao Porto.

No final deixou-nos alguns conselhos precisosos: a vontade e o local são fatores-chave no arranque de qualquer projeto; manter a persistência sempre, já que esta é o fator de êxito nesta área; ter rigor, profissionalismo, uma selecção cuidada e uma simpatia extrema; trabalhar muito; usar a inteligência; manter uma perspectiva de longo prazo; ter amor ao que se faz; estar preparado/a para apanhar porrada que nos fará ganhar resistência e nunca desistir!

Prometemos que dia 22 de Fevereiro repetimos a dose!

Ilustração: Joel Faria

De Participante a Oradora e de Oradora a Voluntária!

Era Janeiro de 2014. Eu regressava ao Porto, depois de uns anos numa espécie de nomadismo pela Europa. Vinha cheia de vontade de encontrar na Invicta a continuação do fervilhar de ideias, de gentes e de novidades a que a curiosidade me habituara. Já não sei onde tropecei, pela primeira vez, nas CreativeMornings. Mas tropecei! Li a descrição, vi onde seria e não hesitei. Registei-me e inscrevi-me para aquela primeira CM do ano. 

Não sabia bem o que esperar e lembro-me de achar que era bom demais uma conferência com gente interessante, com pequeno-almoço incluído e tudo gratuito. Fui, assim como quem vai descobrir uma coisa nova, passo precavido e olho aberto, num dia frio de inverno. O evento era na altura na UPTEC (lugar que eu nem sonhava que existia!), numa casinha de madeira plantada no jardim, diante de uma japoneira com flores cor-de-rosa. Fazia frio e lembro-me do aspeto perfeito que tudo tinha: o pequeno almoço muito bem posto sobre a mesa, as pessoas simples e bonitas espalhadas pelo espaço acolhedor, a luz da manhã madrugadora a espreitar com vontade, a organização visível em cada detalhe… Foi ali, naquela manhã, que me apaixonei por aquela comunidade de gente, de ideias, de partilha.

A conferência foi com o sóbrio designer Nuno Coelho (lembro-me até hoje, porque ele mostrou o seu apelido associado a uma mascote de plástico. Funcionou: ainda hoje resiste ao tempo). Foi uma partilha boa, com conteúdo fácil de seguir e cativante a cada slide (ele mostrou alguns com o seu trabalho e trajeto), apresentado por uns anfitriães que não se impunham na presença, antes faziam suavemente acontecer. Lembro-me de haver gente a filmar, gente a fotografar, tudo bem organizado, como uma suave dança de gente que concretiza. Desde esse dia que estava claro que a cada mês eu estaria presente sempre que pudesse e assim foi, durante mais um ano e meio.

Diverti-me com a conversa direta do Becas, ouvi falar sobre uma técnica fotográfica que desconhecia com o Ivan da Silva, segui atenta as ideias sobre liberdade do Gustavo Costa, conheci a história dos Lovers and Lollypops, entrei no mundo musical do Filipe Lopes, conheci a obra e as ideias sobre Arquitetura e design do Eduardo Aires, apaixonei-me pela paixão sobre educação do Luís Falcão… Estes, entre tantos outros temas e palestrantes, foram-me fazendo sentir parte desta comunidade, até ao ponto em que comecei a participar de outras formas. Por duas vezes colaborei, com uma equipa de amigos, como patrocinadora do pequeno-almoço. A organização não tinha arranjado quem o oferecesse, falou-se de forma informal e eu saltei para a frente: era a minha forma de devolver, de algum modo, a inspiração que este evento me dava mensalmente nas manhãs madrugadoras das sexta-feiras. Combinei com uma série de pessoas que tinham começado a fazer parte da trupe de assistentes e  entre todos lá levámos bolos e sandes, sumos e cafés e até camélias e post-its, às mesas de pequeno-almoço de dois dos eventos.

Os post-its foram, aliás, uma outra forma de participação. Um dia, em forma de desafio, a Sofia Herrera e o Gil Ribeiro, que sabiam que eu trabalhava com grupos e dinâmicas através da minha THINKING-BIG, propuseram-me trazer às horas desafiadoramente adormecidas do começo de um evento, uma dinâmica que fizesse com que os assistentes se conhecessem melhor. Ainda me lembro de rever as fotografias do Filipe Brandão desse evento e de ver o palestrante da altura com um post-it pousado no sapato, esquecido ou guardado para uma posteridade mais criativa. Foi curioso, nesse dia, participar do lado mais de lá, aproximando-me e conhecendo mais a equipa organizadora e percebendo o tudo que estava por trás de cada evento: o trabalho envolvido, os recursos a mobilizar, o esforço na promoção de cada evento, os acordos a fazer para os pequenos-almoços, para os lugares, os contactos com os conferencistas,…. Tudo isto de forma absolutamente voluntária. Nessa altura também o meu envolvimento aumentou, por sentir que um par extra de mãos nunca seria a mais. Comecei também eu a divulgar ao máximo cada Episódio (é assim que chamamos a cada conferência).

As CM Porto tinham então deixado o espaço do UPTEC e saltitavam por lugares vários, desde o Palácio das Artes à Associação de Ourivesaria e Relojoaria de Portugal, passando belo espaço do Espiga Bar Galeria, o lugar onde o ciclo se fechou, para mim. Depois de ter participado como assistente, patrocinadora de pequeno-almoço e animadora de warm-up, chegou a minha vez de ser…. A própria palestrante!

O convite surgiu de surpresa e foi aceite sem hesitação! Foi com um gosto do tamanho do mundo que fechei o ano de 2014/2015 das CM Porto, num Julho quente antes das férias de Verão, no episódio com um dos temas que mais me diz coisas: “COLABORAR”. Afinal, depois de tudo, não poderia ser de outra forma, podia?

Continuo agora nesta aventura criativa, do lado talvez que faltava: como parte da nova equipa de voluntários das CM Porto . Os olhos postos no tudo a fazer, inspirada pelo tudo que foi, até agora, feito. E com um sorriso bom de saber que ideias boas continuarão aqui a mexer, no nascer do dia de uma sexta-feira por mês na Invicta!

Texto: Edite Amorim

Imagem: Filipe Brandão

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