Skip to main content

E com o FANTASPORTO foi assim…

Eram 8h15 da manhã quando eu cheguei esbaforida e atrasada para a primeira CreativeMornings Porto de 2019. Acho que à medida que a manhã foi decorrendo esse stress foi aumentando! Afinal de contas eu nunca tinha feito isto e pior (!) nunca tinha estado numa CreativeMornings na vida! (Mas isso é tema para outra conversa...)

Às 8h30 (mais coisa, menos coisa) e depois de um pequeno-almoço supimpa, cortesia dos nossos parceiros O Piquenique e a Lavazza (podem ver fotos e babar aqui!) começámos a falar disto do Surreal. 

A Beatriz Pacheco Pereira, uma das diretoras do Fantasporto, que teve a cortesia de aceitar o nosso convite e nos honrar com a sua presença e experiência de vida para fazer uma entrada em grande foi dizendo desde logo que com a nossa idade ainda tinhamos a obrigação de ter sonhos, porque os sonhos realizam-se e concretizam-se mediante certos condicionantes.

Contou-nos a história do Fantasporto, falando da importância das influências políticas e do 25 de Abril na abertura do mundo e na criação de um festival de cinema independente sobre o fantástico, que é diferente de terror. O Fantasporto nasceu com o objetivo de mostrar o cinema que estava proibido, de ser um fórum para encontros de cineastas, cultura e artes, tanto assim era que o primeiro festival não era competitivo. O mote era contribuir para a educação cinematográfica da geração da altura, levando a uma ligação ao mundo global do cinema.

Alertou-nos também para algumas questões fundamentais para quem faz cultura em Portugal, já que esta não deve ser pensada apenas em termos empresariais. Apesar de pouco visível, a cultura é a indústria mais rentável do Mundo, porque nos permite estimular a criatividade em todas as vertentes. E por isso, a cultura em Portugal precisa de estruturas e patrocinadores, ainda que a a preferência destes pareça sempre ir para festivais de música e para o futebol. Por isso, diz que ter sucesso em Portugal é das coisas mais perigosas que há. Porque manter esse sucesso implica um trabalho gigantesco! 

Algumas das curiosidades interessantes que fazem do Fantasporto uma dos 10 melhoers festivais do mundo, a celebrar 40 anos de existência em 2020, são ter exibido A Guerra das Estrelas em 1976, ter recebido o Danny Boyle e ele ter escrito parte do argumento do filme “Quem quer ser Bilionário?” no Porto, receber todos os anos estreias mundiais e ante-estreias europeias e já ter trazido 3 oscarizados ao Porto.

No final deixou-nos alguns conselhos precisosos: a vontade e o local são fatores-chave no arranque de qualquer projeto; manter a persistência sempre, já que esta é o fator de êxito nesta área; ter rigor, profissionalismo, uma selecção cuidada e uma simpatia extrema; trabalhar muito; usar a inteligência; manter uma perspectiva de longo prazo; ter amor ao que se faz; estar preparado/a para apanhar porrada que nos fará ganhar resistência e nunca desistir!

Prometemos que dia 22 de Fevereiro repetimos a dose!

Ilustração: Joel Faria