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De Participante a Oradora e de Oradora a Voluntária!

Era Janeiro de 2014. Eu regressava ao Porto, depois de uns anos numa espécie de nomadismo pela Europa. Vinha cheia de vontade de encontrar na Invicta a continuação do fervilhar de ideias, de gentes e de novidades a que a curiosidade me habituara. Já não sei onde tropecei, pela primeira vez, nas CreativeMornings. Mas tropecei! Li a descrição, vi onde seria e não hesitei. Registei-me e inscrevi-me para aquela primeira CM do ano. 

Não sabia bem o que esperar e lembro-me de achar que era bom demais uma conferência com gente interessante, com pequeno-almoço incluído e tudo gratuito. Fui, assim como quem vai descobrir uma coisa nova, passo precavido e olho aberto, num dia frio de inverno. O evento era na altura na UPTEC (lugar que eu nem sonhava que existia!), numa casinha de madeira plantada no jardim, diante de uma japoneira com flores cor-de-rosa. Fazia frio e lembro-me do aspeto perfeito que tudo tinha: o pequeno almoço muito bem posto sobre a mesa, as pessoas simples e bonitas espalhadas pelo espaço acolhedor, a luz da manhã madrugadora a espreitar com vontade, a organização visível em cada detalhe… Foi ali, naquela manhã, que me apaixonei por aquela comunidade de gente, de ideias, de partilha.

A conferência foi com o sóbrio designer Nuno Coelho (lembro-me até hoje, porque ele mostrou o seu apelido associado a uma mascote de plástico. Funcionou: ainda hoje resiste ao tempo). Foi uma partilha boa, com conteúdo fácil de seguir e cativante a cada slide (ele mostrou alguns com o seu trabalho e trajeto), apresentado por uns anfitriães que não se impunham na presença, antes faziam suavemente acontecer. Lembro-me de haver gente a filmar, gente a fotografar, tudo bem organizado, como uma suave dança de gente que concretiza. Desde esse dia que estava claro que a cada mês eu estaria presente sempre que pudesse e assim foi, durante mais um ano e meio.

Diverti-me com a conversa direta do Becas, ouvi falar sobre uma técnica fotográfica que desconhecia com o Ivan da Silva, segui atenta as ideias sobre liberdade do Gustavo Costa, conheci a história dos Lovers and Lollypops, entrei no mundo musical do Filipe Lopes, conheci a obra e as ideias sobre Arquitetura e design do Eduardo Aires, apaixonei-me pela paixão sobre educação do Luís Falcão… Estes, entre tantos outros temas e palestrantes, foram-me fazendo sentir parte desta comunidade, até ao ponto em que comecei a participar de outras formas. Por duas vezes colaborei, com uma equipa de amigos, como patrocinadora do pequeno-almoço. A organização não tinha arranjado quem o oferecesse, falou-se de forma informal e eu saltei para a frente: era a minha forma de devolver, de algum modo, a inspiração que este evento me dava mensalmente nas manhãs madrugadoras das sexta-feiras. Combinei com uma série de pessoas que tinham começado a fazer parte da trupe de assistentes e  entre todos lá levámos bolos e sandes, sumos e cafés e até camélias e post-its, às mesas de pequeno-almoço de dois dos eventos.

Os post-its foram, aliás, uma outra forma de participação. Um dia, em forma de desafio, a Sofia Herrera e o Gil Ribeiro, que sabiam que eu trabalhava com grupos e dinâmicas através da minha THINKING-BIG, propuseram-me trazer às horas desafiadoramente adormecidas do começo de um evento, uma dinâmica que fizesse com que os assistentes se conhecessem melhor. Ainda me lembro de rever as fotografias do Filipe Brandão desse evento e de ver o palestrante da altura com um post-it pousado no sapato, esquecido ou guardado para uma posteridade mais criativa. Foi curioso, nesse dia, participar do lado mais de lá, aproximando-me e conhecendo mais a equipa organizadora e percebendo o tudo que estava por trás de cada evento: o trabalho envolvido, os recursos a mobilizar, o esforço na promoção de cada evento, os acordos a fazer para os pequenos-almoços, para os lugares, os contactos com os conferencistas,…. Tudo isto de forma absolutamente voluntária. Nessa altura também o meu envolvimento aumentou, por sentir que um par extra de mãos nunca seria a mais. Comecei também eu a divulgar ao máximo cada Episódio (é assim que chamamos a cada conferência).

As CM Porto tinham então deixado o espaço do UPTEC e saltitavam por lugares vários, desde o Palácio das Artes à Associação de Ourivesaria e Relojoaria de Portugal, passando belo espaço do Espiga Bar Galeria, o lugar onde o ciclo se fechou, para mim. Depois de ter participado como assistente, patrocinadora de pequeno-almoço e animadora de warm-up, chegou a minha vez de ser…. A própria palestrante!

O convite surgiu de surpresa e foi aceite sem hesitação! Foi com um gosto do tamanho do mundo que fechei o ano de 2014/2015 das CM Porto, num Julho quente antes das férias de Verão, no episódio com um dos temas que mais me diz coisas: “COLABORAR”. Afinal, depois de tudo, não poderia ser de outra forma, podia?

Continuo agora nesta aventura criativa, do lado talvez que faltava: como parte da nova equipa de voluntários das CM Porto . Os olhos postos no tudo a fazer, inspirada pelo tudo que foi, até agora, feito. E com um sorriso bom de saber que ideias boas continuarão aqui a mexer, no nascer do dia de uma sexta-feira por mês na Invicta!

Texto: Edite Amorim

Imagem: Filipe Brandão