Sabes qual é a tua IDENTIDADE?

Quando começámos a planear o evento do mês de Março estávamos longe de imaginar que este seria um autêntico desafio à Identidade, não apenas de todos nós, mas das próprias CreativeMornings no mundo todo! Aqui pelas CreativeMornings Porto somos apreciadores de uma boa dose de ironia, mas não precisávamos de tanta…
Após esta pandemia que assolou o mundo inteiro e nos deixou a todos mais isolados, tivemos de parar para perceber não apenas as reais implicações desta situação nos nossos eventos, mas prinicipalmente parar para pensar de que forma podíamos manter o espírito das CreativeMornings vivo. Após várias discussões entre Equipa e com os outros capítulos à volta do globo, achámos que valia a pena tentar manter o espírito da comunidade vivo, mas em formato digital. Foi por isso com muita alegria que realizámos o nosso 1.º evento virtual este mês.

Alegramente pelas 8h30 reunimo-nos no Zoom, não sem antes termos vários contratempos informáticos próprios de uma primeira edição e começámos por um curso super rápido e intensivo sobre como trabalhar com a plataforma. A seguir a isto e, após termos registado 55 pessoas online, dividimos os participantes em grupos de 6-7 pessoas para que se pudessem conhecer melhor numa espécie de fila para o café que já é a nossa imagem de marca! Demos o mote para o desbloqueador de conversa com uma pergunta sobre o tema do mês: No meio disto tudo continuo a identificar-me com…
Após 10 minutos de conversa regressámos com o desafio de sermos os nossos próprios fotógrafos e podermos documentar o evento não apenas para a nossa página de Flickr mas também para podermos criar uma imagem conjunto no final que reflectisse a diversidade de nossa comunidade.

Eram 9h em ponto quando o Vítor Fernandes, maquilhador profissional que também encarna a Natasha Semmynova começou a contar-nos que a Identidade é muito mais do que aquilo que nos define e que o mais importante é estarmos confortáveis com quem somos. A sua apresentação começou com o cartão de visita que habitualmente usa: a sua participação no The Voice Portugal em 2015.
O Vítor aos 19 anos percebeu que era homossexual e que isto não é uma escolha ou uma opção, mas antes uma orientação sexual que é preciso aceitar. Depois disto até ser drag queen foi um passo que demorou apenas 2 meses e onde, em 1999 nos primeiros bares gay onde foi, descobriu o admirável mundo drag queen da Invicta, com o qual se maravilhou.
Fez o seu primeiro espectáculo há 21 anos atrás e hoje em dia define ser drag queen como: o Vítor é uma pessoa e a Natasha Semmynova é uma personagem. Mas distingue também entre a persona, a extensão de uma pessoa que é o criador desta persona e a personagem, um papel desempenhado por um ator/atriz num evento cultural e que pode ter várias pessoas a encarnar esta mesma personagem. Neste caso, a sua Natasha Semmynova, nascida em Agosto de 1999 e cujo nome vem de uma personagem do Casino Royale do Herman José e se define por ser bastante andrógena, é a sua persona que apenas pode ser encarnada apenas por ele, já que foi criada pelo próprio e foi sendo construindo ao longo destes anos.
O seu primeiro espectáculo de drag queen aconteceu por vontade de se partilhar e de se afirmar enquanto artista já que sempre cantou ao vivo, ainda em 1999, numa altura em que o transformismo e o drag queen ainda não representavam a mesma coisa, onde o transformismo era mais clássico e mais associado aos travestis e o drag queen era uma imagem mais exagerada dos próprios transformistas.
O seu processo criativo é diário e passa também pela reutilização de adereços antigos com uma mistura de atualidade. E esta originalidade que o tem levado a encarnar personagens no teatro ou nas Quintas de Leitura do Porto, a produzir eventos no Porto, a falar sobre o seu trabalho em vários eventos e a defender os direitos LGBT ao ponto de já ter recebido alguns prémios.
A sua mensagem principal é que todos somos pessoas únicas apesar do Mundo não girar à nossa volta, que é importante respeitar os outros mesmo que não consigamos aceitar algumas coisas e que não estamos sozinhos no Mundo.
E foi com esta mensagem que nos despedimos da nossa já habitual Comunidade. Não podemos ignorar esta pandemia e a que realidade atual que estamos a viver, mas podemos (e devemos!) continuar a manter o espírito e a Comunidade unidos, sejam em formatos presenciais ou virtuais! E no próximo mês já sabemos que voltamos a encontrar-nos virtualmente.
Até lá ficamos todos em casa!