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Onde que fazes o INVESTIMENTO?


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Fevereiro trazia um tema bem concreto para explorar, escolhido pelo capítulo de Hong Kong: Investimento.

A equipa das CreativeMornings Porto decidiu então investir num homem da Invicta que deu o tudo por tudo por um projeto culturalmente relevante para a cidade e que nos viesse contar, com boa disposição, o seu trajeto e as suas perspetivas: assim chegou o Daniel Pires, fundador dos Maus Hábitos.

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Quando o Daniel chegou, o hall de entrada da Porto Design Factory, a nossa casa pela segunda vez, estava já recheado com o que os nossos incrivelmente gentis parceiros tinham preparado. Os patês da Greenalyn já estavam prontos a ser barrados em qualquer das opções (e desta vez eram várias!) de pão da Garfa;  os snacks ultra saudáveis da Bean’Go e a granola da Nolita estreavam-se no evento e os bolos da Supernova e os brigadeiros da Doce Ternura desafiavam qualquer dieta planeada. Depois era só escolher entre os refrescos Honest ou o leite de soja da Shoyce e terminar (ou começar, dependendo do sono!) com um belo café servido pela Booínga.

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Eram mais ou menos 9h quando o auditório se encheu com uma audiência atenta e de barriga satisfeita, pronta a ouvir, a abraçar e a trocar contactos online (passatempo sugerido sempre pela nossa Ana Azevedo; a host das CreativeMornings Porto desde 2019). 

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Durante 25 minutos as atenções colaram-se na história do Daniel Pires e nos seus (bons) Maus Hábitos, um espaço cultural criado no último andar de um prédio então devoluto e que se transformou, ao longo dos quase 20 anos de existência, num ponto de passagem de artistas em residência, de exposições, concertos e iniciativas artísticas variadíssimas, até ao momento presente, em que alberga também um restaurante com uma das melhores pizzas da cidade, segundo este orador que chegou a “por as mãos na massa”.

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A ironia ou a piada não podia ser maior, se atendermos ao nome que deu à associação que entretanto criou, para complementar as atividades do Maus Hábitos: Associação Saco Azul, galardoada pelo presidente da República e referida como “o caso azul mais legal do país”. 

Assim foi toda a talk, cheia de humor, com uma história pessoal rica em ironias, superação, provocação, muita coerência e uma persistência a toda a prova. A rematar os inúmeros detalhes que contou, desde a mãe bordadeira até ao facto de saber fazer um pouco de tudo, indo sempre mais além da sua formação inicial em fotografia, Daniel deixou uma mensagem forte, que ecoou também nas várias redes sociais por onde nos segue e comunica a comunidade CreativeMornings Porto: “Quem já falhou tem um conhecimento que vale ouro!”. 

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Ao contar sobre o período mais negro pelo qual passou como responsável deste espaço icónico, um espaço que incluía um bar, onde se conhecia os vários lados das pessoas “primeiro nos seus momentos sóbrios e depois nos seus lugares ébrios” - conta divertido, destaca o quanto aquela dificuldade o reforçou: “Foi o melhor momento da minha vida, aquele em que mais aprendi. Aliás, quando conheço alguém que também já falhou sinto que é esse tipo de pessoas que quero ao meu lado, porque se aprende tanto com isso que aquele tipo de falhanço não volta a acontecer!”

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Todas as histórias e enredos conseguiram espremer-se entre o tempo da sua apresentação e o espaço para perguntas e respostas, que foi claramente curto para toda a curiosidade que gerou. A mesma que, de resto, o define como pessoa e profissional, como deixa transparecer numa das suas frases: “Numa cidade, o mais importante não são as fachadas, são as suas brechas. O escondido, o que só vês se fores curioso.”

Foi um pouco destes pedaços escondidos que deixaram os assistentes cativados e tão focados que foi difícil passar ao momento final deste evento: pela primeira vez tivemos um momento musical no início e outro a fechar a conferência, pela voz suave da bela Frederica Rodrigues, de 17 talentosos anos.

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No final, tudo o que a equipa de organização desejou, foi que os 85 assistentes tivessem saído com uma sensação de investimento  que valeu a pena. Afinal, por dias assim, acordar cedo compensa!


Texto: Edite Amorim

Fotos: Filipe Brandão

Ilustração: Joel Faria