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Sabes onde estão as tuas RAÍZES?


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O dia prometia chuva, mas todos chegaram  a salvo à Porto Design Factory (PDF), que acolhia, pela primeira vez, uma edição das CreativeMornings Porto. À volta da mesa alta, no espaço mais disputado do evento - fonte de calorias e networkings informais e alegres - dispuseram-se as iguarias habituais. Estavam os cupcakes, os scones salgados, o pão de banana e a granola do Piquenique, os bolos requintados trazidos pela Supernova, que desta vez participou com pão caseiro, que todos aproveitaram para barrar com os 4 patês irresistíveis da Greenalyn, os doces brigadeiros da Doce Ternura e iogurte e fruta fresca oferecida pela PDF, para dar o mote de saúde a quem resiste aos açúcares. 

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O ano inaugurou um novo patrocinador de café, a Booínga, feito no local pelo elegante Carlos, que disponibilizou café expresso ou de filtro a cada uma das pessoas que fez fila, de caneca na mão trazida de casa, como já vai sendo tradição nas CreativeMornings Porto.

Já passava das 9ha da manhã quando todo o público se sentou no anfiteatro cheio da PDF, pronto a ouvir o convidado Júlio Magalhães, falar do tema do mês: RAÍZES. O tema foi abordado com uma nota de informalidade, leveza e proximidade pelo diretor-geral do Porto-Canal (conhecido em pequeno por “Juca da Cuca”), que pincelou os seus 30 minutos de conferência com notas biográficas contadas em tom próximo. Desde a vida em Angola, pautada pelo “ar livre cheio de espaço”, até ao retorno à Invicta, onde a vida de adolescente encontrou um novo tom de cinza e desafio, todo o público viajou aos anos 70, à realidade dos retornados em Portugal, aos seus desafios, peculiaridades e sensações. 

Júlio Magalhães, agora também conhecido como escritor, precisamente centrado neste tema tão culturalmente específico dos Retornados, falou também da construção da sua carreira como jornalista. Sem nunca ter concluído estudos universitários, falou sem pudor do lugar das “cunhas”, dos contactos, das sugestões informais ouvidas em restaurantes ou em conversas de corredor, capazes de mudar vidas. Nos seus 30 minutos de exposição contou os seus saltos profissionais, de jornais para a rádio, para a televisão, de canal em canal, de experiência em experiência, percurso muito marcado pela “fome de mundo”, pela curiosidade que o fez viajar toda a Europa em inter-rail nos tempos de juventude. 

Juca, como é ainda conhecido nos círculos próximos, trouxe um toque de concreto e de realidade à construção de uma carreira, ao lugar da experiência vital e, sobretudo, à Pessoa humana com valores e “bom carácter”: “Prefiro um profissional que não seja tão bom mas que tenha bom carácter do que um que seja excelente e que não valha nada como pessoa. O que é preciso é boas pessoas, gente de bom carácter e humana!“. O tempo para perguntas e respostas foi pouco para a curiosidade que gerou e para o que ainda foi capaz de acrescentar através das suas respostas. 

Nesta sexta feira em que não choveu, o ano de 2020 começou em grande e deixou boas mensagens e belos abraços, entre uma comunidade crescente, multicultural e variadíssima, que se reúne uma sexta por mês de caneca (de café) na mão e ouvido atento.


Texto: Edite Amorim

Fotos: Filipe Brandão

Ilustração: Joel Faria