Coletivo: diversidade = criatividade
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Não adianta botar só na campanha. Então a gente tem um trabalho que ele passa de um lugar de representação da mulher para um lugar de ação sobre o problema. De uma representação estética sobre a mulher, para uma representação ética sobre o problema.
A representação tem um valor imenso. Primeiro por que ela é a primeira entrada para a discussão, então quando nós colocamos uma pessoa negra, uma pessoa trans, uma pessoa com deficiência num lugar onde não estamos acostumadas a vê-las, isso em si, já é um revolução, mas essa revolução não pode parar. A gente tem que partir disso e não terminar nisso.
Por que a gente vai pra esse lugar do medo, a gente abandona todo o potencial criativo que esse caminho propõe, que é imenso e inexplorado.
A gente vê uma crise de criatividade na indústria, que já vem de muitos anos, não é de agora. Mas essa recusa a encarar a criatividade nestes territórios leva a esse declínio e essa crise real
É uma conversa que precisa acontecer: a estética refletindo a ética, né? A gente faz e depois a gente conta. Hoje, a gente primeiro conta e isso ajuda a impulsionar mudanças lá dentro, então tá ok. É um caminho da mudança, que é possível agora, mas não é o caminho ideal. Acho que a gente tem que primeiro ir entendendo, agindo e depois contando pro mundo.
Só o fato da gente buscar mulheres sempre ideais, perfeitas, sem celulite, bunda na nuca... quando é preta está naquele padrão globeleza... é um reforço pras nossas inseguranças, né? Ou quando colocam aquela mulher que faz tudo, que aguenta três, quatro jornadas e colocam ela como heroína ou quando descrevem a própria maternidade como algo romantizado e leva a gente para aquele quadro de maternidade compulsória que a gente ainda tem hoje... ninguém se pergunta o que uma mulher infértil sente, o que uma mulher que não quer ser mãe sente com esses comerciais que romantizam tanto o papel da mulher como mãe. Então, acho que a gente ainda põe a mulher em papéis muito culturalmente determinados e nesse sentido ainda falta um caminho para percorrer para nos tirar desses papéis estereotipados.